Segunda parte da entrevista – FRED CASTRO

Alguns dias atrás aqui no FOR BLOG saiu uma entrevista com o patinador profissional e videomaker FRED CASTRO.

E a brincadeira era a seguinte: A galera que curtisse a entrevista poderia mandar perguntas que o cara ia responder. E assim foi!

Confira agora as questões que a rapaziada sempre quis fazer sobre FRED CASTRO sendo respondidas pelo próprio.

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Sergio Fonseca:

Você teria vontade ou coragem de ir lá para “fora” e ganhar sua vida editando vídeos?

Fred: Sim, teria vontade e coragem!  Ainda não tive a oportunidade de ir pra fora a trabalho. Nem pensei muito nisso na real. E honestamente eu não acho que estou bom o suficiente pra trabalhar com computação la fora ainda. Eu foco meu trabalho agora mais em finalização e computação gráfica, não muito em captação e video.  Estou estudando e melhorando a cada dia, uma hora eu chego lá, nos dois sentidos da frase!

Vitor Machado:

Minha pergunta é a respeito da Blindside 2…eu queria saber se voce ainda tem algum projeto de lançar o video??

Fred: Tenho um projeto de fazer um filme, com história, narrativa e tudo mais. O video que era a sequencia da Blindside 1 acabou “passando da validade” e a marca morreu com o tempo. A marca era uma soma de ideias e produtos, videos, roupas e um conceito, um estilo de vida do patinador, ou alguma coisa assim. Quando a marca acabou, perdeu-se um pouco o propósito de uma sequencia para o primeiro vídeo. Mas o projeto do filme está de pé, e tenho uma história e tanto pra contar, e muito, mas muito material que ninguem nunca viu e mais de 5 anos da história do roller nacional em vídeo! Minha técnica como “diretor” e como artista de computação gráfica melhorou de lá pra cá, então o produto final hoje em dia tem mais chances de ficar com um melhor acabamento do que na época que eu fiz o Blindside 1. Acho que vai dar um filme interessante!

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Victor F. Bastos:

Queria pergunta pra ele se ele já penso em desistir do patins ou se já fico um tempo sem anda e como foi a volta? queria saber tbm se ele acha que o auge do rolé dele já passo, saber se ele ainda tem planos ou se ele apenas quer continuar dando rolés tranquilos como muitos patinadores que conheço?

Fred: Desistir do patins pra mim é como matar metade da pessoa que eu construí ao longo dos anos, e tirar metade da minha alma e do meu coração. Não consigo me imaginar sem esse esporte, ou estilo de vida ou sei lá qual o melhor nome pra definir o que a gente faz. Sou meio “viciado” em patins. Mas sim, já me frustrei com muitas coisas, já fiquei sem andar por meses por causa de trabalho, como agora :) mas desistir jamais.

É uma coisa que faz parte de mim, de antes do patins inline, foi onde eu aprendi a vencer dificuldades, a ser melhor do que mim mesmo.

O auge do rolé eu acho que tem mais a ver com o clima, o ambiente que voce patina, mas não no sentido de temperatura, mas sim do tipo de pessoas que voce carrega com voce, se as pessoas tem as mesmas coisas em foco quando patinam, sei lá, se todo mundo é amigo e quer se divertir por exemplo, um puxa o limite do outro e o “auge” acontece, ou “Flow” como a galera gosta de dizer.

Mas todo mundo tem um pico, um momento “mágico” na patinação. Posso te dizer que isso pra mim vai e vem de tempos em tempos. Tive esses momentos aos 14 anos, aos 18 anos e sim aos 31, 32, ou seja “depois de velho” também. Mas se eu tiver que nomear uma época, eu diria que a época que eu mais gostei do meu próprio rolé foi quando eu andava de Rollerblade TRS, na epoca da Words e tudo mais, bons tempos!

E rolés tranquilos são bons, mas o bom rolé é aquele que voce puxa seu limite, volta pra casa ralado e fica lembrando da loucura que voce fez, ou da manobra super técnica que voce conseguiu. Enfim, pretendo dropar “Hammers” até a perna não aguentar mais!

Jonathan Lopes:

Fred, qual sua opinião sobre as oportunidades que um atleta de agressive inline brasileiro pode vir a ter ? esta mais fácil ou mais difícil?

Fred: Está muito mais fácil! Hoje um patinador tem acesso a tudo! Profissionais, lojas, lojas virtuais, videos, compras online! Poder ir na loja e calçar o patins?? Na minha época isso era a lenda, o sonho, a gente fazia piada com isso “Vamo ali no shopping comprar um razors?” Todo mundo ria… Hoje em dia tem atendimento personalizado, pode fazer custom com os patins, comprar roupas de marcas de patins! Existem os blogs como a For, Campeonatos pelo Brasil a fora como os Niss, os Mete a mala e os PSP, os de São Bernardo e a lista continua! Existe um mercado e uma cena mesmo acontecendo!

E eu diria que um Brasileiro tem mais chance que um koreano, um japonês ou talvez até um australiano se preferir. Se é isso que vc tá perguntando. A galera tem uma ilusão de que na gringa tudo é mais fácil e tem patinador por todo lado e os caras ganham grana pra patinar. As oportunidades são iguais. Se o cara for persistente, treinar, tiver flow, for humilde e não forçar a barra ele chega lá.

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Guilherme Melo Paim:

Admiro o trabalho do Fred Castro a bastante tempo, e tenho muito orgulho de poder lhe conhecer ( uma vez nos falamos em peruibe mais claro que ele nao se deve lembrar, rsrsr), apesar de ser novo e começar a patinar nessa nova geração como diz o Fred, acho que essa onda de não dar valor nas coisas como as facilidades do acesso ao patins não está só no patins, está em tudo, mais mudar a cabeça do mundo inteiro é muito dificil, mass mudar a cabeça dos patinadores PARECE não ser tão dificil assim… Então segue a minha pergunta:

Fred, porque voce não quer ser essa pessoa que vai mudar a imagem do patins publicamente? Voce não tem tempo? Não ta afim? já tentou e não deu certo?

Fred: Eu não disse que eu não quero ser essa pessoa. Eu até acredito que muitos de nós já fizemos esse papel. O Rodrigo Lagoa por muitos anos foi o embaixador do patins inline na ESPN onde ele fez inúmeras matérias e cobriu o X-GAMES entre muitos outros eventos e acontecimentos de peso. O JP por muitos anos segurou a CPI dentre vários outros exemplos como o Pessoal da Mete a mala, o pessoal da FOR, entre muitos outros. Eu já fiz muitas coisas, inclusive até comerciais pra marcas internacionais como Razors e Remedyz, sempre tentando trazer um trabalho de nivel que destacasse não só o produto mas o patins como esporte, e estilo de vida. Fiz tambem o Rodapé, que foi o primeiro programa de TV de inline do Brasil.

O que eu me referia, era uma nova campanha de marketing televisivo, ou viral, que certamente iria custar milhões, e ia levar muito tempo e envolver muita gente. Um trabalho feito para mudar a imagem pública do roller mundialmente e vender o esporte e o estilo de vida, afim de aumentar as vendas e a exposição do esporte. E pra isso eu ainda estou muito muito longe de ter a possibilidade de realizar.

Mas sim já tentei e deu certo sim! Convenci muita gente que o patins era da hora :)

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(Mochila produzida pela marca que patrocina o cara atualmente, a RAZORS. Sente a moral do maluco. )

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Rafael Porto:

Lembro que antigamente, tentávamos ao máximo mandar as manobras no estilo, bem agachado, como um royal quase sentando no patins. E fazíamos isso c H Blocks mal feitos, bases finas, cuffs soltos… Hoje vejo uma galera que quer apenas encaixar a manobra e não se preocupa mais com o estilo, até pq, hoje em dia isso não faz diferença nos campeonatos. As manobras saem “estranhas” ao meu ver, joelhos muito esticados e patinadores “em pé” nos corrimões. Quais os fatores, na sua opinião, são responsáveis por essa mudança e você acha que existe volta?

Fred: Eu acho que o estilo é muito pessoal. E isso muda com o tempo, sua percepção de estilo muda  e as vezes isso é acompanhado das mudanças de cada época. As mudanças nas roupas e tudo mais. Imagine que estamos em um novo milênio, então é natural que haja mudanças radicais na maneira de se vestir e pensar e agir, e isso se reflete no estilo dentro do patins tambem. O lance das manobras é que parece que antigamente o patinador “curtia mais as coisas básicas” ou sei lá, tinha que fazer mais força mesmo pra acertar a manobra :) A velha polemica da calça larga x calça apertada tambem. Tudo isso influencia no estilo e na percepção da manobra tambem.

Eu acho que não tem volta e isso é até bom de certa forma. Hoje em dia existem maiores variedades de estilos no patins. Claro que sempre tem as “trends” as “modas” e “tendencias”, mas dentro de tudo isso existem todos os estilos, e isso é bom pra compor a cultura do roller.

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A FOR agradece a todos que deixaram suas perguntas aqui nos comentários da primeira parte dessa entrevista. E agradecemos especialmente a FRED CASTRO pelo carinho e dedicação para com essa entrevista. Sabemos da correria de todos então quando se arruma tempo para fazer algo elaborado como essa entrevista só podemos agradecer, e muito. Valeu rapaziada!

inlineglória.

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Category: Patins Street, URBANFOR
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