Dez dias com Sandy

Quando você planeja uma viagem pensa em tudo. Melhor época do ano, se for dentro ou fora do Brasil, de acordo com as atividades que você quer fazer. Tirar férias do trabalho ou da faculdade. Contabiliza os gastos e calcula como vai se virar no lugar, etc. (5x etc.). Mas eu aposto que ninguém pensa: Pô, mas e se rolar um furacão?

Pois é. Tirei férias e cheguei em Nova York junto com o “Hurricane Sandy”.

Tudo começou no domingo retrasado, quando um atendente do Starbucks disse pra mim e pros meus amigos, do nada, que tudo ia fechar às 7 pm por causa do furacão. Metrô, ônibus, lojas, tudo. Até então, pra mim, Sandy estava no Caribe e por lá ficaria. Na segunda, dia em que o furacão chegaria, compramos comida e ficamos presos no hotel. Não que não desse pra sair, ninguém tava proibido de sair, mas fazer o que na rua? Frio, ventania esquisita, chuva estranha. E a única opção foi ficar ligado na TV.

No dia seguinte, tudo tranquilo no Upper West Side, bairro em que eu estava. Tinha luz, água, e começamos a imaginar que os jornais eram bem sensacionalistas. Maior tempestade dos EUA? Até que sai pra rua e vi que a cidade que eu sempre quis conhecer estava triste e caótica, arrasada pelo furacão devastador que foi o tal Sandy.

Como turistar vendo que as pessoas estavam sofrendo, perderam casas, estavam sendo presas por roubar gás para o carro, estavam sem água e sem luz? Tentamos ir para alguns lugares, mas parece que só mesmo a Times Square tinha vida, e olhe lá! Percebi que só nosso bairro estava relativamente normal. O gigantesco Central Park: fechado. Memorial do WTC: inundado. Metrô: várias estações inundadas. Lojas: fechadas. Museus: fechados. Halloween: cancelado. Essa foto aqui é da loja da Apple com todos os aparelhos protegidos por sacolas.

Foi difícil aceitar que planejei há tanto tempo uma viagem e ela foi destruída por um furacão. Mas também acho que é um pensamento muito egoísta, porque eu só não fiz tudo que eu queria fazer e isso, perto do que as pessoas estavam passando, não era absolutamente nada.

Na maioria dos lugares, a luz só voltou mesmo no sábado, 5 dias depois da passagem do furacão. Uma semana depois, o metrô ainda não estava com todas as estações abertas. O trânsito aumentou significativamente nos dias que se seguiram depois do Sandy já que todos precisavam ir para o trabalho de ônibus, carro ou táxi. Pegar táxi lá era para os fortes e pacientes, por sinal. Todos estavam cheios. Nunca imaginei que fosse ver Nova York paralisada.

Vi lá um momento que com certeza faz parte da história. Minha saída foi tentar fotografar e tentar exercer o jornalismo. Acabei dando uma entrevista pra rádio CBN na noite em que o furacão chegaria: http://cbn.globoradio.globo.com/programas/cbn-noite-total/2012/10/29/ESTUDANTE-DE-JORNALISMO-DE-FERIAS-EM-NY-RELATA-FORTES-VENTOS-E-CHUVA-POR-CAUSA-DE-FURACA.htm

Odeio fazer relatos como este aqui do blog, mas se o que me resta da viagem é contar história, é o que estou tentando fazer haha E pra quem tá achando que tenho muito azar, não se preocupe. Consegui aproveitar algumas coisas. O bastante pra saber pq a marca registrada de lá é “I s2 NY”.

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