Cinema no FOR|Blog – Os Edukadores

‘The Edukators’ passa longe de uma grande produção cinematográfica ou um sucesso de bilheteria, como os filmes apresentados anteriormente aqui no FOR|Blog, o filme de poucos recursos e cenas simples foi indicado a ‘Palma de Ouro’ de Cannes em 2004. Por seu conteúdo politizado de teor revolucionário direto e um roteiro original cheio de terrorismo poético, ‘Edukators’ é aclamado por ativistas e consequentemente exibido em cineclubes, mostras e salas de cinema independente. A ‘ausência de perspectiva social’ mistura-se ao complicado triangulo amoroso, vivido pelos protagonistas e torna o filme mais interessante do que se possa imaginar.

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Invadir mansões, não roubar nada, mudar os moveis de lugar e sair sem ser visto deixando uma mensagem simples e direta: “Seus dias de fartura estão contados”. O terrorismo poético é uma vertente crescente e tem ludibriado jovens ativistas, mexer com o psicológico da classe dominante não altera a estrutura social, como pensavam ‘os edukadores’, mas serve para expor contradições sociais reais sob as quais todos nos estamos condicionados. O filme consegue explicitar a mesquinhez das relações na sociabilidade do capital com uma trama complexa e improvável.

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“A droga da ética burguesa. Decência, honestidade, valores familiares. Seja pontual no serviço, pague impostos, não furte em lojas. Vivem martelando isso! Primeiro na escola. Depois na TV. E pra quê? Para caras assim comprarem carros de luxo. Mande essa moral à merda. Destruir a sua vida é imoral.”

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Jan e Peter são grandes amigos e fazem as invasões, Jule (namorada de Peter) é também ativista, mas dedica a vida à trabalhar e pagar a divida contraída após um acidente de trânsito, deve um carro de 100.000 euros para um milionário. A proximidade com Jan vai para além do triângulo amoroso, expõe a situação de Jule e de tantos outros condicionados a viver sobre a mesma ética social. Jan e Jule invadem a casa do milionário envolvido no acidente, sem Peter saber, mas são surpreendidos, não resta alternativa senão seqüestrar o milionário Hardenberg para ganhar tempo e decidir o que será feito, essa guinada na história faz de ‘Edukators’ um filme tão interessante.

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Em uma cabana os diálogos entre os jovens e o milionário marcam o filme, são os opostos sociais colocados frente a frente, é a representação da não falada ‘luta de classes’, onde normalmente somente uma minoria dominante tem voz. Os jovens questionam Hardenberg quanto sua consciência da condição humana, ele se sente no direito como trabalhador dedicado, aposta na democracia, é defendido pelo Estado e por toda a lógica perversa do capital, é a voz do senso comum. “Posso bancar as coisas porque trabalho mais (…) Todos tem chances iguais.” Mas é bombardeado, as resposta não são mirabolantes, são a realidade cotidiana da maioria, e perturbariam qualquer um ser humano. Hardenberg relembra seus tempos de juventude, fez parte de organizações de esquerda no verão de 68. Mas mudou, vê-se agora conservador, mas respeita o idealismo dos jovens ativistas. É bem tratado, sente o humanismo deles e não foge quando tem oportunidade… “Achei que dinheiro traria liberdade. Pelo contrario. Há o peso da responsabilidade. Às vezes me sinto em numa prisão.”

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Não há perspectiva de transformação social no terrorismo poético, “Não ficamos em pubs discutindo a grande revolução.” É uma inocente forma de ‘edukar’. O final ambíguo de ‘Edukators’, muitas vezes mal compreendido pode acabar com as esperanças em qualquer tipo de mudança, inclusive a esperança na figura humana, educar um magnata torna-se o maior desafio dos ativistas. Hardenberg libertado indica para policia o apartamento dos jovens, mesmo tendo prometido não fazê-lo. Dentro é encontrada, somente uma frase na parede: “Algumas pessoas nunca mudam.” Os edukadores estão em outro apartamento, está na hora de desligar de vez a TV que aliena e consome 4 horas diárias da vida européia, mas esse plano não seria possível sem um financiador, afinal… “Todo coração é uma célula revolucionária.”

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“Um Soco na Mente”, foram as palavras usadas pelos jornais para definir Clube da Luta, o filme da próxima semana no FOR|Blog. A obra prima do diretor americano David Fincher já esmurrou muitas mentes, muito mais que um filme de ação, Clube da Luta trata de uma classe média esvaziada de sentido, onde a dor é um sinal de humanidade, um sinal de que estamos vivos; cheio de críticas a vida padrão o filme é o extremo da subversão, é surreal. Um filme para ser visto, revisto e analisado, é um convite a refletir as regras sociais que obedecemos todo o tempo. Confiram o trailer!

[video]http://www.youtube.com/watch?v=E5i2UnzZgUY[/video]
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Category: TODOS
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